Sentir receio ao dirigir é algo comum e faz parte da experiência humana. Situações novas, trânsito intenso, chuva ou estradas desconhecidas podem gerar insegurança mesmo em pessoas habilitadas. Esse desconforto, embora desagradável, costuma ser passageiro e tende a diminuir com a prática e com experiências positivas ao volante.
Essa insegurança normal está relacionada a uma ativação leve do cérebro diante de possíveis riscos. A amígdala, estrutura responsável por identificar ameaças, entra em alerta e aumenta a atenção e a cautela. Ao mesmo tempo, o córtex pré-frontal, área ligada ao pensamento racional e à tomada de decisões, continua funcionando adequadamente, permitindo que a pessoa pense: “Estou insegura, mas consigo tentar”.
A amaxofobia, por outro lado, é caracterizada por um medo intenso, persistente e desproporcional de dirigir. Nesse caso, o medo não se limita a situações específicas e pode levar à evitação total ou parcial da direção. É comum surgirem sintomas físicos importantes, como taquicardia, falta de ar, tontura, tremores e sudorese, além de pensamentos catastróficos, como medo de perder o controle, causar acidentes ou passar mal.
No cérebro, a amaxofobia coloca o organismo em estado constante de ameaça. A amígdala reage como se dirigir fosse um perigo extremo, ativando o sistema nervoso simpático e a resposta de luta, fuga ou congelamento. Com isso, o córtex pré-frontal perde espaço, dificultando o raciocínio lógico e o controle emocional. Além disso, memórias emocionais passam a associar o ato de dirigir a experiências de medo, mesmo quando não há risco real imediato.
Esse medo também é influenciado por fatores culturais e sociais. Notícias sensacionalistas sobre acidentes, crenças de que o trânsito é sempre perigoso, estereótipos de gênero, críticas durante o aprendizado e modelos familiares ansiosos ao volante contribuem para que o cérebro aprenda a perceber a direção como uma ameaça. O cérebro aprende por observação. Quando o ambiente reforça a ideia de perigo constante, o sistema emocional registra dirigir como ameaçador.
A diferença principal está no impacto na vida: enquanto a insegurança normal é pontual e não impede a autonomia, a amaxofobia compromete a qualidade de vida, reforçando a evitação e a dependência. É importante destacar que a amaxofobia tem tratamento. Não se trata de falta de força de vontade, mas de uma resposta aprendida do cérebro. Abordagens como a Terapia cognitivo-comportamental, associadas à psicoeducação, reestruturação cognitiva, exposição gradual, atenção plena e autocompaixão, ajudam o cérebro a reaprender que dirigir pode ser seguro e possível.
Com acompanhamento psicológico, é possível retomar a autonomia, a liberdade e a confiança ao dirigir.
Insegurança normal X Amaxofobia
| Insegurança normal | Amaxofobia |
Medo leve ou moderado; Aparece em situações específicas; Diminui com a prática; Não impede a autonomia. | Medo intenso e persistente; Generalização do medo; Aumenta com a evitação; Compromete a qualidade de vida e a autonomia. |